Afta na boca: causas, quanto tempo dura e quando ir ao dentista

A afta é uma pequena lesão ulcerada e dolorosa que surge na mucosa da boca, geralmente desencadeada por traumas locais, estresse, alterações na imunidade ou carências de vitaminas. Na grande maioria dos casos, essa ferida é benigna e cicatriza de maneira espontânea entre 7 e 14 dias, sem deixar marcas aparentes. Se o desconforto persistir por mais de duas semanas ou vier acompanhado de outros sintomas no corpo, a consulta com o cirurgião-dentista torna-se indispensável para investigar a causa e afastar problemas mais sérios.
Sentir uma dor aguda ao comer, falar ou simplesmente encostar a língua na bochecha é uma experiência comum para a maioria das pessoas. Embora não ofereça risco de contágio nem represente perigo imediato na maior parte das situações, a ferida pode trazer grande incômodo nas atividades diárias mais simples. Entender como ela se comporta, o que costuma provocá-la e quando é hora de buscar ajuda profissional ajuda a cuidar da boca com tranquilidade e sem sustos.
O que é afta e como ela se forma
Na odontologia, a afta é classificada tecnicamente como uma úlcera mucosal e faz parte do quadro conhecido como estomatite aftosa recorrente. Trata-se de uma perda superficial do tecido que reveste o interior da boca, deixando expostas terminações nervosas bastante sensíveis. É exatamente por essa razão que o contato com a saliva, o ar ou os alimentos provoca aquela sensação ardente tão conhecida.
Visualmente, a lesão costuma ter um formato oval ou arredondado, com o centro esbranquiçado ou amarelado e bordas bem delimitadas por um halo avermelhado, característico do processo inflamatório. Ela surge com frequência nas partes móveis e macias da boca:
- Na parte interna dos lábios e das bochechas;
- Nas bordas ou na parte inferior da língua;
- Na base da gengiva e no assoalho bucal;
- No palato mole, que é a região mais ao fundo do céu da boca.
Diferente de infecções causadas por vírus nos lábios externos, como o herpes labial, a afta não forma bolhas com líquido transparente antes de se abrir e não passa de uma pessoa para outra por meio de beijos, talheres, copos ou toalhas.
Principais causas da afta na boca
A causa exata que dá início à afta ainda é considerada multifatorial pelos profissionais de saúde. Isso significa que raramente existe um único motivo isolado, mas sim uma combinação de fatores do organismo e agressões externas ao tecido bucal. Conheça os principais gatilhos documentados pela literatura clínica.
Traumas físicos e atritos mecânicos
Qualquer pequena agressão à mucosa pode ser o ponto de partida para o aparecimento de uma úlcera. Muitas pessoas notam uma lesão logo após morder a bochecha acidentalmente durante a mastigação, bater a escova com força exagerada durante a higienização ou ingerir alimentos duros e pontiagudos, como cascas de pão torrado e salgadinhos crocantes.
Atritos contínuos provocados por peças de um aparelho dentário mal posicionadas, ganchos e pontas de arames, dentes quebrados ou uma prótese dentária desajustada também agridem a gengiva e a mucosa de forma repetida, facilitando a formação de feridas locais.
Estresse emocional e fadiga
O sistema imunológico responde diretamente às oscilações emocionais. Períodos intensos de ansiedade, noites mal dormidas, sobrecarga de trabalho e esgotamento físico reduzem temporariamente a capacidade de defesa da mucosa oral. Nessas fases, o organismo reage de forma exacerbada a microlesões, permitindo que as aftas se desenvolvam com mais intensidade e frequência.
Deficiências nutricionais
A saúde dos tecidos da boca depende de uma ingestão adequada de nutrientes essenciais. A falta crônica de ferro, ácido fólico, zinco e, especialmente, vitamina B12 no sangue está intimamente associada a episódios recorrentes de feridas na boca. Quando essas reservas caem, a mucosa perde parte da sua capacidade de renovação celular e proteção.
Alimentos irritantes e ácidos
O contato frequente com substâncias que agridem a camada protetora da mucosa bucal pode desencadear crises em pessoas que já têm predisposição. Frutas cítricas (como limão, abacaxi e maracujá), molhos muito ácidos, comidas excessivamente salgadas, pimentas e temperos fortes costumam irritar o tecido e agravar lesões que já estavam em formação.
Alterações hormonais e histórico familiar
Oscilações hormonais típicas de determinados períodos, como as fases pré-menstruais ou a gravidez, influenciam a sensibilidade da mucosa oral em algumas mulheres. Além disso, existe uma componente genética considerável: pessoas com pais ou parentes de primeiro grau que sofrem com crises frequentes têm mais chances de apresentar o mesmo padrão ao longo da vida.
Condições do organismo e doenças associadas
Em determinadas situações, crises repetitivas e numerosas de aftas podem ser o reflexo bucal de uma condição inflamatória ou autoimune presente em outra parte do corpo. Entre as doenças que podem apresentar manifestações na boca estão a doença celíaca (intolerância permanente ao glúten), doenças inflamatórias intestinais (como doença de Crohn e retocolite ulcerativa), lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Behçet e estados de imunossupressão.
Quanto tempo uma afta costuma durar?
A evolução e o tempo de cicatrização variam de acordo com o tamanho e a profundidade da ferida. Os dentistas dividem as manifestações em três formas principais:
- Aftas menores: representam a imensa maioria dos episódios clínicos. Medem menos de 1 centímetro de diâmetro e causam dor que atinge seu pico entre o terceiro e o quinto dia. Depois desse intervalo, a sensibilidade diminui gradualmente e a ferida desaparece por completo entre 7 e 14 dias, sem deixar qualquer tipo de cicatriz residual.
- Aftas maiores: são menos comuns, atingindo dimensões superiores a 1 centímetro. Costumam ser mais profundas, têm bordas elevadas e provocam uma dor bastante incômoda. Em virtude da extensão da perda tecidual, podem levar de duas a seis semanas para fechar totalmente e, com frequência, deixam uma pequena marca esbranquiçada ou fibrosa no local.
- Aftas herpetiformes: recebem esse nome apenas por formarem pequenos agrupamentos de dezenas de minúsculas feridas puntiformes agrupadas, que podem se unir em uma área maior. Apesar da semelhança visual inicial, não têm ligação com o vírus do herpes. Costumam cicatrizar entre uma e duas semanas.
O que fazer para aliviar a dor e o que evitar
Durante os dias em que a ferida está aberta, o objetivo principal do cuidado bucal é reduzir a dor, evitar que a lesão infeccione e permitir que o próprio organismo faça o trabalho de reparação celular.
Para manter a boca confortável e segura, adote estes cuidados práticos:
- Mantenha a higiene com delicadeza: nunca deixe de escovar os dentes por medo da dor. O acúmulo de placa bacteriana ao redor da ferida piora a inflamação e retarda a cura. Utilize escovas com cerdas extramacias e faça movimentos suaves ao passar perto da região lesionada.
- Adapte a alimentação: dê preferência a alimentos mornos ou frios, com consistência pastosa ou macia nos primeiros dias. Evite itens crocantes, cascas duras, bebidas muito quentes, sucos concentrados de frutas ácidas e condimentos picantes.
- Beba bastante água: manter a boca hidratada estimula o fluxo salivar saudável, e a saliva contém componentes biológicos que auxiliam na proteção natural dos tecidos.
- Evite soluções caseiras agressivas: receitas populares como aplicar sal grosso puro, bicarbonato em pó concentrado, álcool ou pastas caseiras sobre a ferida não curam a afta. Pelo contrário, substâncias cáusticas queimam a mucosa sensível, aumentam a profundidade da úlcera e retardam o processo de cicatrização.
- Use apenas produtos indicados pelo profissional: caso a dor esteja muito forte a ponto de atrapalhar a ingestão de água e comida, o cirurgião-dentista pode indicar pomadas protetoras, anestésicos tópicos ou anti-inflamatórios adequados para a sua idade e condição de saúde, respeitando a forma de aplicação correta. Procedimentos clínicos como a fotobiomodulação (aplicação de laser de baixa intensidade) também podem ser realizados no consultório para acelerar o alívio.
Sinais de alerta: quando procurar o dentista
Na maior parte das vezes, a afta é um evento passageiro que se resolve sozinho. No entanto, algumas manifestações exigem atenção redobrada e uma visita sem demora ao consultório odontológico:
- Ferida que não cicatriza em mais de 14 a 15 dias: este é o sinal de alerta mais importante preconizado pelas diretrizes de saúde pública e entidades odontológicas. Qualquer lesão na boca que persista após duas semanas precisa ser examinada clinicamente para diagnóstico diferencial e para afastar doenças graves, incluindo o câncer de boca;
- Aftas que surgem sem parar: quadros em que novas úlceras aparecem antes mesmo das antigas sumirem, exigindo investigação médica e odontológica conjunta sobre carências nutricionais e imunidade;
- Lesões de tamanho incomum: feridas muito extensas, com mais de 1 centímetro, que causam dor desproporcional;
- Dificuldade para engolir, falar ou abrir a boca: situações em que o inchaço e a dor impedem a hidratação e a alimentação corretas;
- Sintomas no restante do corpo: presença simultânea de febre, ínguas doloridas no pescoço (gânglios inflamados), mal-estar acentuado ou lesões que aparecem ao mesmo tempo nos olhos ou na região genital;
- Pontas de dentes ou aparelhos machucando: quando a ferida surge exatamente no ponto de atrito com um dente quebrado, restauração solta, prótese bamba ou fio de aparelho perfurando a mucosa.
Perguntas frequentes
Afta é contagiosa?
Não. A afta é uma inflamação interna da mucosa bucal e não é provocada por vírus contagiosos, bactérias transmissíveis ou fungos. Você não transmite a lesão ao falar, beijar, compartilhar copos, garrafas ou talheres com outras pessoas.
É verdade que colocar sal cura a afta mais rápido?
Não, isso é um mito perigoso. O sal diretamente sobre a ferida causa uma dor intensa e promove uma agressão química sobre o tecido já inflamado, piorando a ferida e prolongando o tempo necessário para que a mucosa cicatrize.
Por que algumas pessoas têm aftas com tanta frequência?
Episódios muito frequentes geralmente apontam para fatores combinados do próprio organismo, como predisposição genética, fases de estresse elevado contínuo, carências de vitaminas no sangue (como a B12) ou doenças do trato digestivo que afetam a absorção de nutrientes.
Como o dentista pode ajudar no tratamento de uma afta?
O dentista examina a ferida para garantir um diagnóstico seguro, ajusta aparelhos ou dentes que estejam arranhando a mucosa e pode prescrever medicamentos tópicos apropriados para aliviar o desconforto, além de utilizar recursos como o laser terapêutico para reduzir a dor.
Fontes
- Afta na boca - veja principais causas e como curar (CNN Brasil): https://www.cnnbrasil.com.br/saude/afta-na-boca/
- Tenha orgulho de sua boca 20 3 dia mundial da saude bucal (Ministério da Saúde): https://bvsms.saude.gov.br/tenha-orgulho-de-sua-boca-20-3-dia-mundial-da-saude-bucal/
- Afta - causas, sintomas, tratamentos (e como aliviar) (Rededorsaoluiz): https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/afta
- Afta na boca - o que é, causas e tratamentos - Minha Vida (Minhavida): https://www.minhavida.com.br/saude/temas/afta?rel=outbound
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um cirurgião-dentista. Em caso de dor, sangramento ou inchaço, procure atendimento.


